14º Congresso Brasileiro de Clínica Médica e 4º Congresso Internacional de Medicina de Urgência de Emergência

14º Congresso Brasileiro de Clínica Médica e 4º Congresso Internacional de Medicina de Urgência de Emergência

MINASCENTRO - Belo Horizonte /MG | 04 a 06 de Outubro de 2017

Dados do Trabalho


Título

Síndrome da sulfona no Tocantins: um relato de caso

Fundamentação/Introdução

A dapsona é uma das medicações utilizada no tratamento da hanseníase, doença considerada hiperendêmica no Tocantins, e pode levar a uma rara e grave reação de hipersensibilidade com curso clínico imprevisível e potencialmente fatal denominada síndrome da sulfona.

Objetivos

Demonstrar, através da descrição do caso clínico, possível apresentação da síndrome da sulfona e seus diagnósticos diferenciais.

Delineamento/Métodos

Caso clínico selecionado a partir dos sinais e sintomas investigados, uma possível apresentação da síndrome da sulfona.

Resultados

Paciente 41 anos, sexo feminino, relata que após 10 dias do término do primeiro mês de tratamento para hanseníase apresentou quadro de febre, prurido, exantema, astenia, hiporexia e dor abdominal difusa progressiva, suspendendo por conta própria segunda dose supervisionada devido tais sintomas; relatou que nos últimos 2 meses residiu em área rural no interior do Mato Grosso e há 4 dias apresentou múltiplos episódios de vômitos. À admissão, 16/05/2017, apresentou-se afebril, ictérica, hipocorada, edema discreto em face e membros inferiores e em exame abdominal, fígado a 4 cm do rebordo costal e dor difusa à palpação profunda. Durante internação, foi encontrada transaminases aumentadas em 4 vezes, fosfatase alcalina e gama- GT aumentadas, bilirrubina total aumentada com predomínio da bilirrubina direta e anemia. Durante internação, foram solicitados testes sorológicos para hepatites virais e calazar, dosagem de CPK, sorologia para brucelose, ultrassom abdominal com achado de litíase biliar e colangiorressonância, tomografia computadorizada abdominal e transfusão sanguínea devido piora de níveis hematimétricos. Após resultados de exames acima citados incapazes de explicar quadro clínico, no 5º dia de internação foi iniciado tratamento empírico com hidrocortisona e fenergam parenterais, evoluindo com melhora de icterícia, prurido e desconforto abdominal; 3 dias após, paciente foi encaminhada para dermatologia, estabelecendo o diagnóstico de síndrome da sulfona e adicionando ao tratamento loratadina e hidroxizine. Paciente evoluiu com regressão completa dos sintomas, tendo alta após 15 dias da admissão.

Conclusões/Considerações finais

A sulfona é largamente usada e usualmente bem tolerada, mas pode desencadear hipersensibilidade - tipicamente no início do tratamento, levando a um quadro clínico variável e potencialmente grave. Deve-se sempre ter alto grau de suspeição para que seu diagnóstico e tratamento possam ser precoces, a fim de evitar desfechos indesejáveis.

Palavras Chaves

Síndrome da Sulfona; Dapsona; Hanseníase; Reações adversas.

Área

Clínica Médica

Instituições

UFT - Universidade Federal do Tocantins - Tocantins - Brasil

Autores

Aline Barbosa Lopes, Lucas Aguiar Oliveira, Lorena Ohrana Braz Prudente, Luisa Lopes Dias Silva, Paula Fleury Curado